Família de médico mentor da raça Tabapuã mantém criação do gado no interior de SP: 'Nos deu frutos'
Família de médico mentor da raça Tabapuã mantém criação do gado A família do médico Alberto Ortenblad, responsável pela formação da raça Tabapuã na década de 19...
Família de médico mentor da raça Tabapuã mantém criação do gado
A família do médico Alberto Ortenblad, responsável pela formação da raça Tabapuã na década de 1940, mantém a criação do gado em uma fazenda em Uchoa, no interior de São Paulo.
Arthur Assumpcao Ortenblad Filho, de 36 anos, é um dos administradores da propriedade rural que abriga 300 vacas responsáveis por fazer a reposição de fêmeas no local e por gerar em média 150 touros por ano, destinados à comercialização dos animais no mercado brasileiro.
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp
Além da criação de gado, a fazenda também possui uma plantação de cana-de-açúcar e silvicultura, atividade que envolve a recuperação de florestas de forma planejada.
Arthur Ortenblad Filho em Uchoa (SP)
Arquivo pessoal
Os familiares do propulsor da raça mantêm a atividade no campo há cinco gerações. Formado em engenharia agronômica pela Universidade de São Paulo (USP), Arthur mudou-se para a propriedade em 2017 após trabalhar em uma fazenda nos Estados Unidos e fazer alguns estágios para aprimorar os conhecimentos.
“Hoje, posso dizer que sou um gerente financeiro, agrícola, pecuário e florestal na fazenda. Tento estar presente em todas as frentes organizando os manejos necessários em cada atividade. Na parte de pecuária, realizo os manejos sanitários, a estação de monta, os controles zootécnicos, os registros de nascimentos e manejos de dia a dia do gado. Faço questão de fazer a parte comercial, recebendo os clientes, assim como organizamos leilões de machos e fêmeas durante o ano”, explica.
Habituado à vida na zona rural, ele diz que é impossível não ser influenciado por seus antepassados. Ao g1, Arthur contou que Alberto teve ajuda do irmão, Rodolpho Ortenblad, ao longo do processo de cruzamento das matrizes que geraram a raça.
Alberto e Rodolpho Ortenblad em Tabapuã (SP)
Arquivo pessoal
“Os irmãos trabalharam firmemente e juntos tiveram muito empenho junto ao Ministério da Agricultura para conseguir o reconhecimento da raça. No início de seleção, os Ortenblad optaram pelo acasalamento in-breeding (pai com filha, neta e bisneta), segregando as características desejáveis e descartando aquelas indesejáveis. Dessa forma, foi-se desenhando o que é o Tabapuã hoje”, explica.
Além da propriedade em Uchoa, outra parte da família mantém a criação do gado na Fazenda Santa Cecília, em Tabapuã. “A família Ortenblad tem mais de 100 anos de vida no campo e 85 anos na criação dessa raça maravilhosa que tanto nos deu frutos. A raça representa um pouco da nossa luta e da nossa força no campo. E esperamos continuar por muitas gerações entregando o que mais sabemos fazer, que é um gado de qualidade, de origem e 100% brasileiro”, reitera Arthur.
LEIA TAMBÉM
Jiboia vira 'inquilina' em sítio, ganha cantinho especial e passa a se chamar Margarida
'Cãotólico': caramelo 'assiste' a missa em igreja e viraliza na internet
Filhotes de onça-parda resgatados após se perderem da mãe ganham 'novo lar' em zoológico
Alberto Ortenblad é o mentor da raça Tabapuã
Arquivo pessoal
Rotina na propriedade
Como o gado é a principal atividade na fazenda, a rotina gira em torno da reprodução, da criação e do bem-estar dos animais.
Durante o período de chuvas, as fêmeas prenhas parem os bezerros. Arthur Filho explica que essa época é considerada de nascimento e colheita dos animais recém-chegados.
“No decorrer dos nascimentos, submetemos a nossa vacada à estação de monta de 120 dias com a intenção de emprenhar a maior quantidade possível de matrizes. Depois disso, as novas matrizes prenhas seguem na fazenda com uma boa suplementação, enquanto a vacada infértil é descartada e abatida”, explica o administrador.
Raça foi criada em Tabapuã (SP)
Arquivo pessoal
No caso dos bezerros machos, eles são submetidos a provas de ganho de peso com base em critérios estabelecidos pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Já as fêmeas são colocadas em um manejo similar ao aplicado às matrizes para que possam ser recriadas.
“No caso dos bezerros, no final dessa prova de ganho de peso, fazemos ultrassom de carcaça com o intuito de gerar um ranking do melhor ao pior garrote da safra e, então, serão ofertados ao mercado como touros jovens aos 24 meses. As bezerras posteriormente são desafiadas a precocidade sexual aos 14 meses após o ultrassom de carcaça. Aquelas que emprenham seguem como reposição e aquelas que não emprenham seguem o destino para venda”, finaliza Filho.
Arhur Ortenblad Filho é gestor da propriedade em Tabapuã (SP)
Arquivo pessoal
Surgimento da Tabapuã
Os primeiros animais chegaram à Fazenda Água Milagrosa em Tabapuã na década de 1940, depois de serem adquiridos pelo médico e dono da propriedade Alberto Ortenblad.
Frutos de cruzamentos entre o gado mocho nacional e animais de origem indiana, especialmente da raça Nelore, eles se desenvolveram e se adaptaram rapidamente ao clima tropical e à vegetação de Mata Atlântica.
Em 1970, o Ministério da Agricultura recomendou à ABCZ que o gado Tabapuã fosse incluído entre os tipos de raças zebuínas. Dez anos depois, em 1980, o Tabapuã ganhou 80% das pesagens de que participou e, em 1981, foi definitivamente reconhecido como raça, além de ser o terceiro neozebuíno a ser formado no mundo, após o Brahman e o Indubrasil.
Raça Tabapuã foi criada no interior de São Paulo
Divulgação
Guilherme Tricca, técnico da raça Tabapuã que atua na região de São José do Rio Preto (SP), explicou ao g1 a raça fez com que a pecuária nacional atingisse patamares de excelência em outros países devido à alta tecnologia empregada e ao baixo custo de produção.
“O Tabapuã é considerado a maior conquista da zootecnia brasileira dos últimos cem anos, segundo os especialistas. A lactação constante e abundante garante o alimento adequado para o crescimento vigoroso da cria”, explica o especialista.
Hoje, a raça se destaca pela alta lactação, no caso das fêmeas, e pela rapidez que adquire peso, podendo chegar a média diária de 1,3 quilo em 112 dias, além de ter reconhecimento internacional. Alguns exemplares da fêmea chegam a atingir o valor comercial de R$ 2 milhões e do macho gira em torno de R$ 1,25 milhão.
Raça foi criada em Tabapuã (SP)
Arquivo pessoal
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba
VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM